Muito Além de Lutar e Matar

Devido à sua grande eficiência em combates reais, o Ving Tsun Kuen tem sido definido como uma arte po­derosa e rápida, boa para lutar e matar. Moy Yat via com desgosto essas definições. Para

Moy Yat

ele, o sistema era muito mais do que isso. “Ele é simples, gentil e tranquilo”, disse Moy: “Se vê alguém que faz Ving Tsun sem rai­va, este é um bom Ving Tsun. Se você vê alguém fazer Ving Tsun com muita raiva, não é um bom Ving Tsun”.

A suavidade de Moy Yat deixava transparecer nele a figura de um mestre nas artes tradicionais. Além do Ving Tsun Kuen, ele era muito co­nhecido por sua rara perícia em pin­tura chinesa, caligrafia de ideogra­mas e escultura de carimbos tradicionais em pedra. Sua maestria nessas artes fez dele um consultor muito solicitado pela Academia de Arte Chinesa e pelo Museu de História Natural de Nova York.

Mas o Grão-Mestre não se deixava afetar por todo esse prestígio. Continuava cuidando de seu arquivo pessoal sobre artes marciais, escrevendo para jornais de Chinatown e fazendo conferências. “Sou um cara comum”, costumava dizer.  Seu único orgulho parecia ser os seus alunos. “Todos fazem o seu próprio Ving Tsun, nenhum parece comigo”, dizia ele satisfeito.

Moy Yat

O símbolo escolhido por Moy Yat para a sua Família Ving Tsun, a flor da ameixeira (“moy”, em chinês), escla­rece e confirma as posturas do Grão-Mestre. Símbolo muito caro aos chi­neses, ela floresce sempre no final do inverno, anunciando a primavera. Por isso, é considerada como a re­presentação maior do desabrochar da consciência. Assim sendo, Moy Yat considerava que o

melhor Ving Tsun é aquele totalmente incorpora­do ao estudante, e que não pode ser percebido. Segundo ele, quando al­guém começa a praticar o Ving Tsun, as pessoas logo perceberão isso. Após algum tempo de estudos, difi­cilmente se notará que ele conheça a arte. Enfim, depois de muitos anos de prática, ninguém acreditará que essa pessoa conheça o Ving Tsun Kuen.

Quando demonstrou a sua arte em São Paulo, há alguns anos atrás, Yat disse “relaxe e seja gentil”. Para as centenas de pessoas que acompanharam fascinadas a sua exposição feita de gestos simples e harmoniosos, tudo estava perfeito. O Ving Tsun Kuen havia falado através dele.

Fonte: Arquivos da família Moy Yat Ving Tsun

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